Crypto

#4 – Papo reto com Guilherme Rennó – Tudo sobre Criptomoedas e Libertarianismo

O Papo Reto com o Especialista traz Guilherme Rennó, empresário e influenciador digital que fornece serviços educacionais sobre criptomoedas e trading através de sua empresa, a Criptomaníacos.

Rennó é graduado em Administração de Empresas com MBA em Finanças, e já trabalhou em gigantes como a IBM, Michelin e Subsea 7.

Em 2016 o empresário passou a se envolver com a causa libertária e foi nesse momento que conheceu as criptomoedas.

Assim, comprar Bitcoin foi uma questão de tempo.

Em janeiro de 2018 Rennó criou o canal de YouTube Criptomaníacos visando educar sobre criptomoedas e mostrar que conflitos são melhores resolvidos de forma descentralizada, com trocas voluntárias, do que na base da coerção do Estado.

A entrevista exclusiva com o Mestre libertário Guilherme Rennó você só lê aqui, no Portal Bitnotícias.

O Estado cria a ilusão de que precisamos dele para viver

Guilherme Rennó

Guilherme, você deixa clara a sua visão político-econômica em seu Canal. Você vê o Estado todo como sendo uma máfia?

Sim, o Estado é uma máfia e funciona exatamente como uma milícia.

O Estado força um monopólio criando uma falsa necessidade por ele.

Os cidadãos não têm como contratar serviços concorrentes porque o Estado proíbe a entrada de empresas privadas nos chamados serviços essenciais, e assim as pessoas se tornam dependentes exclusivamente do serviço estatal, interpretando, erroneamente, que sem o Estado, ninguém forneceria estes serviços (iluminação pública, saneamento, justiça, entre outros.

Por exemplo, o Estado faz o mesmo que os milicianos fazem nas favelas, ao obrigar os moradores a utilizarem os serviços fornecidos por eles (botijão de gás, “gatonet”, segurança) e os proibindo de adquirirem serviços de outras empresas.

Posso citar os casos dos Correios, da pavimentação de rua, da água, da eletricidade, onde o Estado força o monopólio com uso de força.

Para fugirmos disto precisamos da privacidade e do anonimato, como ocorre no Bitcoin, ao permitir que fujamos do monopólio da moeda.

O Estado força o uso da sua moeda no comércio e como reserva de valor, mas agora podemos usar as criptomoedas como forma de pagamento ou como proteção contra inflação.

E a tendência é observarmos o mesmo uso de tecnologias descentralizadas em outros setores para nos protegermos de monopólios artificiais.

Bancos Centrais subordinados aos Governos. Este é um caminho sem volta?

Não é o caso de serem subordinados. O maior problema é que eles são centralizados.

O STF e o Senado, por exemplo, um não é subordinado ao outro, mas existe um interesse mútuo, que leva as decisões para um lado perverso.

Portanto, há uma troca de interesses entre eles, e o Estado e o Banco Central fazem o mesmo.

Se você tivesse o poder de imprimir moedas, você o usaria sempre.

O Estado transfere o valor do dinheiro dos cidadãos para si ao diluir o dinheiro com a impressão de novas notas, que ficarão agora em seu poder.

Este é um imposto invisível, que se chama inflação, e o Estado usará esse recurso sempre que for de seu interesse.

Sendo assim, nós não podemos ter o poder do dinheiro nas mãos de uma entidade apenas.

Imagine se o Bitcoin fosse assim? Só existirão 21 milhões de unidades na história, aconteça o que acontecer.

Mas o que ocorreria se alguém tivesse o poder de “imprimir” mais 10 milhões para “salvar uma empresa essencial”, “salvar vidas” ou “estimular a economia”?

A tentação não seria grande demais?

Esses são discursos populistas, que sempre funcionam junto ao público leigo em economia, e que levam à desvalorização das moedas e da poupança dessas próprias pessoas, em benefício de servidores do Estado.

Esse roubo só não acontece no Bitcoin porque ele não é centralizado.

A verdadeira finalidade das criptomoedas é permitir que você proteja a sua propriedade privada, ao remover intermediários

Guilherme Rennó

Como você definiria o fiduciário como lastro para as moedas FIAT?

O único lastro da moeda FIAT é a honestidade do político e a única coisa que o político quer é favorecer a si mesmo e aos que apoiaram sua campanha.

Uma moeda para manter as suas 3 principais características: meio de troca; unidade de conta; e reserva de valor (precisa ser escassa).

Se uma moeda pode ser inflacionada indefinidamente, primeiro ela deixa de servir como reserva de valor. A inflação corrói o valor de quem está em posse desta moeda.

Vemos o caso do Real: qualquer um que compará-lo com ativos como o Bitcoin, o Ouro, ou até mesmo o Dólar, verá que este vai perder valor com o passar do tempo.

Se a escassez não for reestabelecida, na sequência esta moeda deixa de servir como unidade de conta. Vimos isso nas décadas de 80 e 90, na época da hiperinflação, quando ninguém sabia quanto ia custar um produto no dia seguinte.

Se nada for feito, por fim, esta moeda deixa de servir como meio de troca.

Na Venezuela, por exemplo, para se comprar um frango o cidadão precisa de uma mala cheia de Bolívares. Lá a moeda já perdeu suas 3 características, processo que acontece menos ou mais rapidamente com qualquer moeda estatal.

Historicamente os Estados sempre começam com uma moeda forte e a destroem ao longo do tempo.

No começo há o lastro da moeda em ouro, e isso obriga os Estados a controlarem seus gastos, já que não é possível aumentar a quantidade de ouro indefinidamente.

É questão de tempo para o Estado usar sua tática favorita: violência e roubo.

Simplesmente acabam com o lastro no ouro e ficam livres para imprimir moeda, que agora não tem lastro em nada.

A partir daí esta moeda passa a não servir mais como reserva de valor ou moeda de reserva mundial.

O exemplo histórico mais recente ocorreu com a Libra Esterlina.

O Reino Unido aboliu o padrão ouro em 1914 para financiar as duas grandes guerras mundiais.

Ao imprimir muito dinheiro, o Reino Unido depreciou o valor da moeda para os britânicos e para os demais países que possuíam Libra em suas reservas.

Assim, a moeda passou a não servir mais como reserva de valor para os países, fazendo com que o Dólar americano surgisse como uma necessidade para restabelecer a reserva de valor.

Desta forma os Estados Unidos foram obrigados a lastrear o Dólar ao ouro. Mas adivinhem?

Diante das crises, pouco a pouco os Estados Unidos acabaram, também, com o padrão ouro. Assim, vejo que é uma questão de tempo para o Dólar perder o seu status de moeda de reserva mundial.

Para interromper este ciclo vicioso é preciso uma moeda que não possua um emissor centralizado e que não possa ser confiscada por intermediários. E isso agora é possível com o surgimento do Bitcoin.

Se o modelo FIAT se tornasse obsoleto, o Bitcoin seria o ativo correto para substituí-lo, as stablecoins estariam em vantagem ou deveríamos comprar ouro em pó?

O ouro já falhou neste propósito, pois o Estado conseguiu quebrar o ouro como moeda/lastro, além de diversos confiscos de ouro ao longo da história.

Precisamos de algo que não possa ser confiscado ou proibido, e que não possa ser afetado pelos interesses do Estado.

A divisibilidade e o transporte também são fatores limitantes para o uso do ouro como moeda.

O Bitcoin não possui estes problemas.

As stablecoins também não resolverão o problema, pois a maioria delas é lastreada em algo que está sendo destruído, que são as próprias moedas do Estado ou moedas FIAT.

O Bitcoin é escasso, prático, privado e não sofre com a interferência estatal.

Você acredita que as moedas digitais dos Bancos Centrais serão úteis ou é apenas um mais do mesmo, só que digital?

Digitalizar algo ruim, não torna isto bom.

O problema é que estas moedas continuarão a ser inflacionáveis, não são escassas e são centralizadas.

Inclusive, a digitalização poderá aumentar os problemas.

Ela permite ao Estado acelerar a velocidade do dinheiro, sem um custo atrelado a isso. A tendência passa a ser de mais inflação e mais intervenção econômica com medidas que evitem a poupança por parte das pessoas.

De fato, os Governos estão criando estas moedas como resposta às criptomoedas e quando elas forem criadas o Estado vai questionar o cidadão sobre o motivo dele querer usar o Bitcoin!

E assim, o Governo associará o Bitcoin, de forma irresponsável, com crimes como: lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

E isso mesmo com 99% destes crimes sendo cometidos com uso da moeda estatal e não de criptomoedas.

Economistas e investidores enxergam o PIX com diferentes olhos. Qual a sua opinião sobre ele?

Vamos começar com as desvantagens do PIX:

Atualmente o Estado sabe quanto cada cidadão recebe, mas não sabe ao todo o quanto ele gasta, e no que ele gasta.

Através dos meios de pagamentos eletrônicos parte destas informações já chegam ao Governo. Entretanto, pagamentos em papel moeda (dinheiro) possuem anonimato.

Quando a pessoa gasta papel moeda num comércio, o Governo não sabe o quanto ela gastou, nem no que gastou. Há anonimato. E assim também acontece, de forma limitada ainda, com o uso do Bitcoin.

Então, eu vejo que com o PIX poderá haver mais restrições e controle dos negócios, além de restrições cada vez mais pesadas para as exchanges de criptomoedas e para os transacionadores P2P.

Isso pode reduzir muito a liquidez do Bitcoin no Brasil.

E assim os pobres deverão ser os mais afetados com toda esta burocracia.

Eu faço uma comparação com o mercado de armas: as restrições na compra de armas geram custos (testes, certificados, exames, impostos, etc.) e quem tem muito dinheiro consegue arcar com eles, seja para possuir arma ou para contratar segurança privada em seu condomínio.

Já os mais pobres, que são os mais suscetíveis à criminalidade e portanto os que mais precisariam de armas para autodefesa, acabam sem condições de possuir armas e se tornam dependentes da polícia estatal, que na maioria das vezes nem mesmo acessa as zonas mais pobres das cidades devido ao risco, deixando os mais pobres, ou os que vivem na zona rural, reféns de criminosos armados ou contando somente com a fé.

E eu vejo a mesma coisa acontecendo com as criptomoedas e o Bitcoin: são os mais pobres os mais atingidos pela inflação.

Já as vantagens do PIX:

Bem…, as pessoas aprenderão a pagar as coisas de forma mais digital, usando o QR Code, por exemplo, que é exatamente como funciona nas criptomoedas, onde as pessoas utilizam o leitor de QR Code para transacioná-las no comércio.

Outra vantagem é que com o PIX as pessoas terão mais noção de privacidade nos pagamentos.

Entenda, o Banco Central estatal, continuará sabendo sobre as transações, mas dentro do comércio as pessoas não mais disponibilizarão as suas informações pessoais e bancárias porque basicamente utilizarão uma chave PIX para as transações. Isto ensinará as pessoas sobre a importância do anonimato, o que facilitará a futura transição das pessoas para as criptomoedas.

E as grandes Instituições privadas que estão aderindo ao mundo cripto. Como você enxerga isso?

Isso gera uma bola de neve de novos investimentos.

É diferente quando grandes empresas começam a usar o Bitcoin. Isso passa credibilidade para outros indivíduos e empresas e fará com que cada vez mais empresas venham a aderir às criptomoedas.

Aconteceu com a Microstrategy, logo em seguida veio a Square (empresa ligada ao Twitter), o Paypal e isso incentivará novas empresas a usarem as criptomoedas. A competição obriga outras a aderirem.

Isto trará uma explosão de busca pelas criptomoedas, quando pessoas notarem que grandes empresas, instituições e bancos estão usando e falando de Bitcoin. Deixou de ser uma “moedinha de nerd” ou associada à criminosos.

Parte destas Instituições almejam a funcionalidade das criptomoedas como meio de pagamento. Outras acrescentaram-nas em seus portfólios de investimentos. Existem pontos negativos nisso?

Não! Vejo apenas vantagens.

Pois quando uma empresa passa a usar o Bitcoin ela gera uma demanda por serviços associados às blockchains e criptomoedas, seja por pagamentos, armazenamento, reserva de valor ou segurança, novas empresas implementarão produtos e serviços que facilitarão a adoção e a utilização das criptomoedas.

A adoção do Bitcoin por parte de empresas também torna sua proibição impossível, pelo menos em larga escala, já que cada país que criar barreiras, gera um bônus para outros que o adotarem.

Empresas e indivíduos que possuem Bitcoin irão para países que os tratarem bem.

Ser amigável ao Bitcoin, portanto, significa abrir a porta do país para a migração de trilhões de dólares e empregos, perdido pelo país que for irresponsável o suficiente para proibi-lo.

O Bitcoin possui um sistema de incentivos, tanto tecnológico quanto social, jamais visto.

Quais Altcoins você acredita que trazem ou trarão grande utilidade ao mercado cripto?

Eu me torno cada vez mais maximalista do Bitcoin.

Quando falamos de moeda, eu não vejo a necessidade de outra no mercado.

As demais moedas são especulativas, até podem gerar ganho financeiro, mas sem finalidade de longo prazo.

Qualquer eventual vantagem tecnológica pode ser implementada ao código do Bitcoin, apesar do consenso para isto acontecer levar bem mais tempo numa rede tão grande.

É apenas questão de demanda, como no caso da privacidade e escalabilidade, que vem sendo melhoradas agora.

Já no caso de tokens, que possuem funções diversas, eles vão resolver problemas oferecendo serviços descentralizados.

Exemplo do Ethereum (ETH), na criação de aplicativos descentralizados e que também oferecem os contratos inteligentes.

Assim não precisaremos de terceiros para a homologação de contratos diversos.

Mas acredito que primeiro o Bitcoin deve se consolidar como moeda, para que depois estes tokens comecem a ter usabilidade real no mercado.

Você conta o seu caso particular com a NANO, ao qual o lucro meio que derreteu por seus dedos. Você já “sardinhou” mais alguma vez?

Na verdade, eu tive um lucro legal com a NANO (risos). Mas sim, eu perdi a oportunidade de ganhar muito mais.

Até hoje eu tenho estas NANOs aqui em carteira, e seu valor virou pó!

Mas calma, não sabemos o que esperar dessa nova Bull Run. O mercado se torna irracional em algum momento.

Como eu falo de Altcoins em vídeos, pessoas desavisadas acabam investindo nelas, sem fazer qualquer pesquisa.

Isso aconteceu muito em 2017/2018, e o pior é que eu acabava comprando estas Altcoins também, porque se eu falo de algo, preciso colocar a minha própria pele em risco (risos).

Acabei com mais de 200 Altcoins em carteira na época. No início de 2018, qualquer shitcoin estava bombando, mas quando elas perderam 98% do valor foi feio.

Eu tive um saldo positivo, mas muita gente perdeu tudo.

Aprendemos mais com os erros do que com os acertos

Hoje eu não cometo mais os mesmos erros, porque aprendi lá na alta histórica de 2017

Guilherme Rennó

O mais importante disso foi o aprendizado. “Gato escaldado tem medo de água fria”.

Pessoas vão errar na próxima alta, infelizmente, ou felizmente, por que vão aprender com isso.

O que a Criptomaníacos espera no futuro para as criptomoedas e para a tecnologia blockchain?

Elas são o futuro. Isto é inevitável.

Pode demorar mais ou menos tempo, mas acontecerá.

Quero citar aqui a Lei de Gretchen, que diz que “a má moeda tende a expulsar a boa moeda do mercado”.

No passado, as pessoas usavam a prata (pior) para fins comerciais e guardavam o ouro (melhor) em casa.

Assim o ouro sumiu do mercado.

Hoje em dia, investidores guardam Dólar e usam Real no mercado.

Querem se desfazer desta porcaria que temos aqui.

E assim acontecerá com o Bitcoin, pois as pessoas vão guardar Bitcoin e jogar a porcaria estatal, que são as moedas FIAT, no mercado.

Até a internet das coisas (IoT) está evoluindo para este meio, onde máquinas farão micro transações utilizando criptomoedas.

Muita coisa parece “Black Mirror”, aquela série futurista da Netflix, mas isso é real e acelerará o desenvolvimento humano.

Vamos conseguir fazer as coisas muito mais rapidamente sem as amarras da regulamentação estatal e também será um primeiro passo para acabar com o parasita, que é o Estado.

Cada vez mais o Estado têm sido menos necessário, o que vem acontecendo desde a criação de tecnologias descentralizadas, como a internet, por exemplo.

O Estado promove o roubo (tomar propriedade de inocentes, sem o consentimento destes), e a utilização de tecnologias descentralizadas previne o roubo!

Quando a arrecadação diminui o Estado é obrigado a encolher de tamanho (vendendo empresas públicas, por exemplo, por não ter condição financeira de mantê-las).

Isso abrirá espaço para que mais empresas privadas adentrem no mercado, e a concorrência é veneno para a ineficiência estatal.

Por fim, o Estado perde relevância naquele setor, como aconteceu com a telefonia, por exemplo.

Boa parte desse processo será acelerado pelas criptomoedas. O futuro do dinheiro. Dinheiro digital, privado, descentralizado, e inconfiscável.

Entenda o Projeto do Portal Bitnotícias: Papo Reto com o Especialista

#1 – Papo reto com Caio Vicentino – Tudo sobre DeFi

#2 – Papo reto com Pablo Grainer – Tudo sobre Análise de Sentimento

#3 Papo reto com Fernando Limas Tudo sobre serviços de troca P2P

.

Cadastre-se agora! Eleita a melhor corretora do Brasil. Segurança, Liquidez e Agilidade. Não perca mais tempo, complete seu cadastro em 5 minutos! Acesse: http://www.bitcointrade.com.br/




Source link

Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar